Houve um período da minha vida em que me senti abandonada por Deus. Minha mente sabia que isso era impossível, mas estava um estranho silêncio. Ele não falava nada. Ao mesmo tempo que sentia essa solidão, eu sabia que mesmo que eu não sentisse, Ele estava lá, eu só precisava descobrir como sentir. Por conta do dia-a-dia eu não podia ir aos locais onde eu mais o sentia, que era, por exemplo, a minha igreja. Demorou cerca de 3 anos para que eu começasse a entender o que acontecia, mas depois que comecei a entender foram rápidas minhas descobertas em cima das revelações de entendimento que Ele foi me dando.
A primeira coisa que descobri que o que eu estava passando, era o tão famoso deserto. A segunda foi que tudo o que eu entendia por ser o deserto estava errado. Algumas descobertas:
1- Deserto é o lugar que Deus leva para chamar pra perto. Pra crescer, para ensinar sobre Ele e como pode ser o nosso relacionamento com Ele. Todo o povo foi tirado do Egito, mas até chegar na terra prometida o processo foi longo.
2- O tempo no deserto depende apenas de mim. Enquanto eu não cresço, eu não avanço. Não posso pedir para uma criança que apenas sabe ficar sentada, se levantar e correr. Cada fase do processo é importante para o bom desenvolvimento. “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” 1Co 13:11
3- O deserto é tão solitário, pois é um processo individual. Todos precisam passar, mas sozinhos (falo dos homens, Deus está sempre lá). Profetas passaram por lá, Israel, passou por lá. Jesus também. Sim, Todo Israel estava junto ao passar no deserto, mas isso em muito os atrapalhou, pois apenas dois daquele meio conseguiram não se envolver nas murmurações e práticas que impediam o povo de avançar. O próprio Moisés, teve momentos que se deixou influenciar pelas reclamações e tomou atitudes precipitadas. Estar lá sozinho pode ser mais difícil, mas sairá de lá diferente.
4- O deserto não é lugar de morte. Apesar da paisagem insípida, os maiores milagres já relatados na bíblia foram lá. Milagres de provisão das necessidades básicas(Comida, água, roupas), proteção contra o tempo (nuvem para fazer sombra de dia e a coluna de fogo para aquecer e guiar de noite) e contra o inimigo (o mar se abriu para o povo não ser alcançado pelo inimigo).
5- O principal objetivo do deserto é chamar pra perto. Quando vemos o poder de Deus, pode ser realmente assustador, mas não deixe o medo impedir você de se aproximar. Deus ia falar a todos de Israel, mas quando viram a expressão do poder Dele na natureza, pediram a Moisés para ser o intermediário na comunicação (Ex 20:18,19).
6- Depois do deserto você estará pronto para a obra. O próprio Moisés ficou 40 anos vivendo lá antes de libertar o povo. João batista ficou lá uns dias antes de anunciar a vinda do filho do homem e batizar Jesus nas águas. Jesus ficou por lá e só depois iniciou seu ministério. É preciso ter intimidade, ter falado com Ele, ter tido um téte-a-téte, um encontro pessoal para só então mostrar aos outros o que foi feito com você.
7- Um encontro com Ele te marca para sempre. Jacó ficou manco, Moisés teve seu rosto resplandecente, Saulo ficou cego por um tempo. Essas são marcas externas do que foi feito internamente com eles. Leia Gênesis 32:24-28. Jacó teve sua história mudada assim como seu nome, de enganador (significado de Jacó) para aquele que luta com Deus (significado do nome de Israel). Uma coisa muito importante: Lutar COM é diferente de lutar CONTRA. Estava ali sendo estabelecida uma aliança, Jacó pediu a Deus ajuda contra o seu passado, e juntos eles venceram. Quando o seu nome foi perguntado, ele teve que admitir quem era, o que tinha feito, sua história de engano. E sabe como foi chamado o local daquela batalha? Batalha essa, que nós temos que travar dentro de nós, se quisermos ter nosso nome (nossa identidade, quem somos) mudado? Peniel. Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva (Gn 32:30). Vê-lo face a face é a meta.
8- O objetivo final do deserto é intimidade. Ver alguém face a face, pressupõe proximidade. De longe não percebo como alguém está vestido, qual a cor dos seus olhos. Não consigo saber se seu rosto tem covinhas ou se o canto dos olhos se enrugam quando sorri. Preciso estar perto. Uma coisa que descobri. Ninguém “aceita” Jesus porque o conhece, mas sim porque reconhece nele a possibilidade de mudança, de salvação, de cura etc. Depois que se sai do Egito, o deserto é o processo onde se conhece a Deus de verdade e só então se alcança Canaã. O foco tem que ser conhecê-lo mais. Não se preocupar em mudar-se. Não. Como vou saber os gostos de alguém se não o conheço? Existem coisas que se eu ler uma autobiografia eu saberei sobre aquela pessoa, mas outras só quem está perto pode dizer. Os níveis de intimidade entre os discípulos eram diferentes, todos eram discípulos, mas uns mais próximos do que outros. Não eram todos que deitavam no peito.
Essas são algumas coisas que descobri. E percebi que o meu foco estava errado. Eu não precisava estar na minha igreja para sentí-lo. Eu não precisava de um pastor ministrar para mim ou de um profeta vim até mim para me dizer o que Deus pensava sobre mim. Eu sou a igreja, Eles está em mim. Depende de mim ouví-lo ou não. Quando eu descobri isso, foi tão bom que o que eu encontrei no deserto se tornou meu tesouro. Saí de lá mais independente dos outros e mais dependente Dele. Comecei a aprender diretamente Dele, sem intermediários, como Ele sempre quis. O véu se rasgou e não vou permitir que venham costurá-lo novamente.

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